terça-feira, 7 de maio de 2013

Show do Paul McCartney em Belo Horizonte

Lá na frente, no meio do povão.

Vamos começar pelo final, porque, pelo amor, estamos falando de Sir Paul McCartney. E foi assim que minhas férias fecharam com chave de ouro.

Dessa vez cheguei cedo, às 15h00 da tarde já estava nos arredores do Mineirão para entrar na fila. Só consegui entrar no estádio às 19h00!! Depois da experiência do Coachella, falta muita, mas muita coisa para o Brasil organizar o mínimo para um show de grande porte. Vou ser repetitiva, mas #imaginanacopa.
Vendedores ambulantes era quase zero ao redor do estádio. Prefeitura proibiu. Agora imagina aquele sol na jaca e pouca água pra vender. Era necessário sair da fila pra ir até algum lugar "oficial/autorizado" para comprar uma garrafinha a 3 reais.

Já que Dona Claudinha e Sidinei não me acompanharam, foi a vez da minha irmã.
Conforme as horas foram passando, meu coração acelerava. Sempre parece que é a primeira vez. A ansiedade vai tomando conta, eu comecei a segurar as lágrimas, mas não sabia até quando. Apesar de muita gente, estava tudo tranquilo. Como sempre, você via famílias inteiras, como se a música dos Beatles fosse uma herança passada de geração a geração. 


Então meia hora antes do show começar, os telões começaram a passar várias imagens da carreira de Paul. Os Beatles, as bandas contemporâneas, os Wings, a carreia solo, a família...tudo muito caprichado e que me fez lembrar muito do scrap. Certeza que alguém da produção faz.

Rola até um distress.
As imagens não mentem. Têm colagem, mixed media, fotos, tintas. 
O único problema é que eu ficava mais ansiosa porque ao mesmo tempo que o início do show ficava mais próximo, parecia que as imagens não acabavam nunca e eu só queria que acabassem logo.



Mas como eu gosto, nada de atraso. Pelo contrário, antes das 21:30, Paul pisou no palco e minhas lágrimas disseram "hello". Nessa hora, eu esqueço de tudo. Da fila imensa, do calor, da espera, da viagem cansativa, do saco de Fandangos a R$ 10,00, da vontade de fazer xixi, da menina pentelha que está lá só para fazer check-in no Facebook e não conhece nem Let it be, da pessoa que reclama porque pisaram no pé ou te empurraram (eu mesma tomei uma cotovelada bem no meio do queixo e sorri), de gente que é modinha e nem sabe o que está fazendo ali. Ele faz valer.


Aquele choro eu nem sabia sobre o que era. Mentira, sabia sim. A última coisa boa que me lembro antes de ficar doente foi o show do Paul, em 2012. E quem diria que quase um ano depois estaria novamente em seu show? É além da perfeição cair bem no finalzinho das minhas férias. Na verdade, eu já tinha voltado antes, na quinta, depois do feriado. Mas parece que foi combinado o show ser no sábado, logo depois de dois dias de trabalho. Dá para considerar uma emenda das férias.


Durante o período que estivesse doente, eu quase não ouvi Beatles ou qualquer música da carreira solo dos seus integrantes. Acho que, inconscientemente, me recusava, porque não combinava eu associá-los com aquilo. Eu tenho uma história bonita com eles e queria deixá-la intocável. (Aliás, quase não conseguia escutar música nessa época. Nenhuma cabia minha dor e minha confusão psicológica. Só conseguia nos dias quando estava bem. Engraçado, né?). Eles não são só a trilha sonora de muitas partes da minha vida, mas também fazem parte da minha formação como pessoa.


Lembro até hoje quando a letra de Ebony and Ivory caiu na minha mão. Mais do qualquer aula de Educação Moral e Cívica, Filosofia e História, ela me conscientizou sobre tolerância e igualdade racial e social. Eu ficaria horas dando exemplos como esses.


Poderia contar também as tantas vezes que uma música me colocou na linha esperançosa da vida.  


Se para o Paul, fazer música evita de você ir ao um psiquiatra e permite falar coisas que nunca falaria pessoalmente, para mim uma canção purifica, porque são coisas que eu sempre quis dizer mas nunca encontraria palavras para tal, muito menos executá-la.


Agora, imagine quando eu escutei os primeiros acordes de Eight days a week. Uma canção que eu jamais pensaria escutá-la ao vivo. Uma música que já virou tema de uma página de scrap. Uma letra que eu sei de cabo a rabo, que eu cantava debaixo do chuveiro na maior felicidade...


O mais legal de você ir no primeiro show de uma turnê é que você não tem ideia do que virá. Claro que não vão sobrar clássicos, como Let it Be, Hey Jude, Something, Yesterday. Mas rola aquela expectativa "o que será que ele vai tocar agora?". E no final, quando eu fui fazer aquela comparação do que ficou de fora das outras turnês, eu nem fiquei triste ou senti falta dessa ou aquela música. É muita música boa para poucas 2 horas e meia. Então, se saiu aquela em prol de outra, qual o problema?


Teve alguns poréns. O microfone estava um pouco baixo. Não dava para ouvir a voz do Paul. Nos outros shows, tudo foi impecável tecnicamente. Além disso, o som falhou umas três vezes, em Obladi, oblada e Band on the run. De onde eu estava, deu pra ouvir que o retorno para quem estava no palco estava tudo bem, mas para quem estava na plateia, zerou tudo. Foi então que o público entrou em cena e segurou as músicas como um coral gigantesco.


E o Paul? Ah, Paul, com todo aquele galanteio e charme para tentar falar português como nenhum outro astro gringo consegue. Muito amor, muito!


Um dos momentos mais lindos e emocionante, para mim, claro, foi quando ele cantou Blackbird e Here today em cima de uma plataforma que o deixou nas alturas. Pensa: Paul, violão e uma combinação de imagens espetaculares. Todo mundo de boca aberta de admiração ou de boca fechada chorando.


Na hora de Maybe I'm amazed, uma das canções de amor mais espetaculares que existe no mundo, passou um casal na minha frente. O cara estava em prantos e minha irmã comentou: "você viu o cara estava chorando pacas!". Eu virei com os olhos encharcados e disse pra ela: "vi." A cara que ela vez foi hilária.


Teve músicas nunca antes tocadas ou pouco executadas. 


Teve momento fofura.




Momentos espetaculares como das luzes em Let it be.


Momentos de pauleira com Live and let die and Helter Skelter.




Momentos para não esquecer como o coral em Yesterday.


E o momento de dizer Thank you!


Se eu encontrasse Paul na rua e pudesse dizer duas palavras seriam essas. Primeiro que não teria coragem de falar nada, mas seria o mínimo pelo máximo que ele já fez por mim.


Ah, estava esquecendo de comentar um fato. Você está em um show de rock, não um concerto. Você vive na era digital, então se contente que vai ter,sim muitas, muitas pessoas tirando fotos e gravando. Não comece a dar chilique e xingar o povo que está tentando fazer isso. Eu sou daquelas que no dia seguinte vai direto no You Tube pra rever o show. Eu sou daquelas que tira foto mesmo, porque sou da máxima de Émile Zola, quando diz: "na minha opinião, você não pode dizer que viu qualquer coisa a fundo se você não tirou uma fotografia disso." Desculpa aí, mas para pessoas pentelhas como eu, uma foto não basta! Então...

E quem fala que ele já está velho, já não tem mais voz, que o Brasil já virou carne de vaca nas turnês, chupa a pele do meu cotovelo que ela anda um pouco desidratada. Aqui é Corinthians! Hahahahaha!!


Foi um dos shows mais espetaculares que vi na vida. Só perde para o show de Paul, em São Paulo, em 2010. O primeiro a gente nunca esquece.
Pra quem quiser conferir mais fotos, tá lá no meu Facebook. E quem quiser saber mais, leia o melhor texto sobre o show em BH. 
Beijo e ótima semana!

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