terça-feira, 9 de julho de 2013

Parada na Bahia

Primeiro dia

Como num passe de mágica, eu já estava na Bahia. Foi só fazer um pá-pum, e de Pernambuco para Bahia foram só algumas horinhas, minutinhos até. Para não perder tempo, o casal mais baiano-maloqueiro-corintiano-bagaceiro que conheço me levou para uma praia de pescadores linda chamada Arambepe.




Dava para viver de fotografia nesse lugar. Eu não sabia para que ângulo olhar primeiro. O importante era não deixar o olho escapar do visor da câmera para não perder o instante.



Cada vez mais eu sou grata por ter feito, finalmente, um curso de fotografia. Não, não penso em me profissionalizar. Ainda não. Pelo menos por hora. Tenho muitos cliques pela frente. Tenho muito que aprender e observar. Mas a percepção de captar a vida e porque não a morte, mudou.


O curso, as saídas fotográficas, as viagens, o dia a dia, confirmou ainda mais algo que já estava enraizada em mim: fotografar gente. Pessoas! Isso eu vou carregar para sempre dentro e para fora de mim.




Como tudo, mas principalmente na minha forma de fazer arte, tento colocar um pouco de poesia. É essencial para mim que a fotografia não só conte uma história que ficou imóvel naquele retrato, mas também conte poeticamente.


Essa é minha essência e se um dia eu quis que isso morresse dentro de mim, porque achava que não sobreviveria sendo assim em um mundo tão mesquinho e pobre, hoje não tenho como esconder isso.


Por mais que eu tentasse driblar, ela, a poesia, se manifestava disfarçadamente no meu scrapbooking, na minha escrita, nas minhas fotos.


Tenho meu lado desbocado, revoltada, maloqueira de zona norte paulistana, mas tenho essa sensibilidade que rima com poesia. E não há motivo algum para eu sentir vergonha disso tudo.




O que estou tentando dizer é que as minhas últimas escolhas me fizeram um bem danado. Todo mundo fala, fala e fala muito em fé, em Deus, em companheirismo, amor e amizade. Mas quando paro e começo a observar, não é bem assim que as coisas andam funcionando. Muitas vezes, eu ficou calada, porque simplesmente, fico chocada com que ouço e vejo e não consigo encontrar uma reação que revele toda minha indignação.



A ação tem ficado muito no abstrato da escrita e da fala. Agir parece dar muito trabalho e, muitas vezes, uma palavra mal colocada, mal dita pode fazer um estrago desnecessário. Ultimamente, tenho pensado umas 50 vezes antes de dizer ou escrever algo, porque não sei se valeria a pena matar meu tempo para coisas tão desgraçadas. Dou um block na minha vida e ignoro. Parei de sofrer com preocupações que não me levam
a nada.


Depois, a caminho da Praia do Forte, nós paramos nas ruínas do Castelo da Torre de Garcia d' Ávila. Esses lugares sempre são uma delícia para fotografar, porque além das texturas das paredes, tem uma atmosfera histórica incrível. É impressionante sentir como o ar que paira sobre esses lugares carrega uma aura cheia de imaginação e mistério.



Eu fiquei mais de uma hora fotografando esse castelo. A única coisa que me incomodou foi o fato de estar de vestido e ter um monte de homem montando uma estrutura bem em frente. Isso me limitou tirar fotos mais ousadas. Sempre tinha aquela preocupação em abaixar sem aparecer as partes e não dar show para a plateia masculina.






 Mas deu para me divertir bastante, apesar do sol a pino, apenas com umas nuvens rasgando o céu.


Tem coisa que só amigos fazem por você. Digo isso porque entrei sozinha no castelo para fotografar. Sidinei e Claudinha ficaram me esperando do lado de fora. Agora, pensa, eu clicando trocentas vezes por mais de uma hora e os dois todo prosa do lado de fora. Muito amor, minha gente!



 Depois, caminhamos para a Praia do Forte. Outro lugar que pretendo voltar. Uma cidadizinha colorida, cheia de restaurantes, gringos se esparramando por todos os lados, o Projeto Tamar. Lembra muito Arraial d'Ajuda. Um lugar para sentir como é observar a vida acontecendo lentamente.




No final do dia, ganhamos um companheiro canino lindo que eu gostaria de levar pra casa. Ele simplesmente pegou um coco, arrebentou com a boca a ponto de sangrar sua gengiva e depois começou a latir como que dizendo: vem brincar comigo! A Claudinha não deixou a gente brincar com ele porque não queria que ele se apegasse. Mas apareceu outras pessoas que atiraram o coco para o mar e ele foi todo prosa buscar. Os caras tiveram que fazer isso umas 20 vezes porque o cachorro não se cansava. Mas adulto cansa e não queria mais brincar. O cão ficou decepcionado. Claudinha tinha razão.







Segundo dia

O dia todo reservado para conhecer todos os pontos turísticos, badalados e batidos existentes em Salvador. Quando eu disse que os melhores guias são os melhores amigos nativos, eu não estava mentindo. A Claudinha conhecia todos os nomes das igrejas que eu pergunta. Dava até raiva.


Dizem que igrejas são todas parecidas. Eu não acho. Gosto de observar. Gosto é de ver as diversas maneiras que cada igreja interpreta a crucificação de Cristo. Têm as pinturas, os vitrais, as esculturas. Mas o que eu mais me impressiona são as pessoas que entram lá para que sua fé não seja anônima.


A primeira igreja que visitamos foi onde os baianos se casaram: Igreja da Ordem Terceira Secular de São Francisco da Bahia. Essas igrejas barrocas sempre me lembram castelos de areia, aqueles que eu fazia na praia quando criança. Um amontoado de pontinhos, um em cima do outro.



Infelizmente, ela estava fechada, mas a galeria não. Eu até queria entrar, mas sabe como é, iria ficar umas duas horas tirando fotos e o dia tinha os minutos muito bem calculados. Até a moça da galeria ficou triste dizendo que eu ia me esbaldar lá dentro, porque pelas fotos que eu estava tirando, eu era detalhista. Será?



Passamos pela segunda igreja e também convento, chamada de São Francisco e fomos caminhando em direção ao Elevador Lacerda. Mas até chegar lá, começou um enxame de vendedores querendo que eu comprasse fitinhas do Bonfim, colares, pulseiras. Os caras são insistentes e não desistem até que você compre alguma coisa. Você quer só fotografar e quando você acaba de driblar um vendedor, logo mais pra frente vem outro. O pior de tudo é que eles parecem ficar ofendidos se você não compra nada.



Chegando na Cidade Alta, a primeira coisa a fazer: tomar sorvete! Rá! Enquanto tomava meu picolé, fui observando o que estava ao meu redor. Me ambientando, me inspirando para quando o sorvete acabar. O lema era não perder tempo, nem o momento ideal para fotografar.



Fiz a foto clássica do Elavador Lacerda, com o Mercado Modelo e Baía de Todos os Santos lá embaixo. Por mais que essa foto seja encontrada em qualquer guia de viagem, quem não quer ter a tua?




Realmente Salvador é um cidade linda. Foi lá que eu tirei fotos maravilhosas das minhas férias. E quem me disser que é porque eu estou com uma câmera melhor, eu juro que bato. Oi?? Bato bem no meio da cara. Quem faz a foto é o fotógrafo e não a capacidade da sua câmera. Competência quem tem que ter é a pessoa que bate a foto.






Voltando para Salvador, próxima atração era o Pelourinho. O que são todas aquelas casinhas coloridas? Uma colada na outra, descendo a rua como se fossem uma onda?



Como se não bastasse, você encontra aquele povo todo abraçando o colorindo.





Dá pra gastar a memória do cartão.

 





Começou cair a tarde e eu estava toda ansiosa para caprichar na hora mais linda do dia. Mas antes uma paradinha na Igreja do Bonfim.




O que eu tinha falado de fé e devoção. Quando pisei naquela igreja, tive flashback. Voltei para época em que cursava a faculdade de jornalismo e meu TCC foi todo baseado em fotografias sobre a fé. Retratar esse sentimento não foi nada fácil, às vezes, dava vontade de chorar com os devotos e nem sabia o porquê.

 

Saindo do Bonfim, passamos pelo Forte de Mont Serrat e fomos presenteados com essa vista linda.


Mais um pit stop na sorveteria mais famosa de Salvador. Uns 500 sabores para dividir em três bolas? Claro que tomei umas 20 bolas.


Com a gula satisfeita, paramos no Ponta de Humaitá. Foi ali que a magia aconteceu e me fez suspirar pelo resto do dia e da noite.









Terceira dia

Último momento. Tinha que ser de praia. E a primeira parada foi na Praia do Jardim de Alah. Como amo praia deserta, sem muvuca. Sol escaldando na cabeça, toda preparada no protetor solar, fui dar uma voltinha para fotografar umas bicicletas. Tarada por bikes. Eu, que nem sei andar! Explica muita coisa, não?


Mas não rolaram só fotos de magrela.






Depois fomos almoçar em um lugar fabuloso chamado Gibão de Couro. Nem quis saber com quantos quilos voltei após essa brincadeira. Saca só porquê.



Com a fome devidamente eliminada, fomos giboiar na Praia do Porto da Barra.




E com o sol se pondo, esticamos até o Farol da Barra para me despedir de Salvador.




Não há como deixar de sorrir nessa terra!

2 comentários:

Kátia Cris disse...

Regi, que delícia fazer uma viagem pela Bahia com suas fotos! Lindas!
Olha, pra saber o nome de todas as igrejas de Salvador tem que ser ninja hein!? rs
beijos

LucianaW disse...

Já estive na Bahia, mas adorei reviver momentos através de suas fotos! Lindas! bjs

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